Feira do Livro de Bagé

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Luis Kalil - O Patrono da Feira

Luis Simão Kalil nasceu e vive (sempre) em Bagé.
É médico e foi político, atividade que fez com que chegasse à Presidência da Câmara de Vereadores e a prefeito por duas vezes.
Na Medicina, destaque especial para o seu talento com o reconhecimento da população bageense.
Na vida em Bagé, o seu trunfo, sua inspiração e a alegoria de suas histórias, porque Luis Kalil foi tragado pelo “Mundo das Letras” assim que se permitiu dar tempo ao tempo na vida profissional de médico.

Luis Simão Kalil nasceu em 19 de novembro de 1937.
Filho de Elias Kalil e de Labibe Simão Kalil. São sete os seus irmãos, dois faleceram.
Por sua vocação e talento na Medicina pôde estudar pessoas com a proximidade permitida aos artistas, aos contadores de histórias, aos escritores. O que é raro, muito raro.
Não há canto e não há família do universo de Bagé, por suas particularidades humanas, que Luis Kalil não conheça, não compreenda ou não possa adaptar uma história para seus próximos livros.
Vale destacar aqui que esse universo é o mesmo de Nova York, Moscou ou Trípoli, porque escreve sobre gente, sobre almas, porque é assim que o “doutor Luis” pode definir seu dia-a-dia de atenção, cuidado e preocupação com seu semelhante - o outro ser humano e suas idiossincrasias.

Luis Kalil é um escritor novinho em folha. Começou faz alguns poucos anos. E - contando parece mentira - quem observa Luis projetando seus próximos livros pode pensar que ele está em busca do tempo perdido. Aliás, suas duas obras mais recentes, chegaram numa edição exemplar de quem pretende mesmo “correr” para recuperar os anos em que não havia acordado para a arte de escrever: trata-se de dois romances, duas capas e um livro. Isso mesmo. O livro é duplo. Lá está: “Salim faz preço, freguês; Samuel também faz, senhor” e “Deus não esquece”.
Mas, Luis Kalil não está em busca do tempo perdido.
Ele está catando histórias, umas de memória e outras da hora, de agora, em cada amigo ou amiga que encontra, em cada situação que se defronta, em cada passar, chegar, olhar…

Luis Kalil é casado com Leny Nunes Kalil. Os dois são pais de Elias, Rita e Milena. E são avós de sete netos.
Um dia, aquele homem de família resolveu sentar à frente do computador para escrever e não quis sair. Encantou-se com a possibilidade de “brincar de reinventar o mundo” à imagem e semelhança das tantas pessoas e histórias que conheceu.
Já havia experimentado algo semelhante como médico, nas vezes em que permitiu longevidade a vidas. Sim, porque desta forma, reinventa-se mundos.
Mas, como escritor ainda não.
“Ser escritor é muito bom”, disse Luis Kalil com uma empáfia disfarçada de humildade, que só ele sabia ser mesmo humildade.
“Ser escritor permite que a gente crie cidades, pessoas e destinos. Isso é bom”, pensou ante a tela do computador que anunciava: “Desnecessário descrever a satisfação popular”.
A frase é do seu livro “Deus não esquece”.
Ser escritor deve ser uma felicidade, diriam alguns. “E é”, responde Luis Kalil, com voz baixa, mergulhado em sua aparente timidez genealógica para que quase ninguém ouça, exceto um ou dois amigos mais chegados. “Que sempre tratam de espalhar para os outros”, diz ele com seu humor perspicaz.

O escritor e o médico não são diferentes do cidadão consciente de seu papel social. Também não estão distantes do profissional.
Um dia, quando saiu da Prefeitura, ao encerrar seu mandato de Chefe do Executivo bageense, Luis Kalil sabia que precisava se reciclar na Medicina. Não teria coragem de voltar para o consultório ou para o hospital e seguir trabalhando.
Sua consciência, digna e sã, teimava que era necessário voltar a exercer sua vida profissional observando a rotina de médicos gabaritados em um hospital-escola.
Então, Luis Kalil viajou para São Paulo e no Hospital de Clínicas da USP permaneceu durante 90 dias para reaprender e praticar a medicina.
Para alguns, uma novidade, para ele, que durante 10 anos, todos os anos permaneceu um mês freqüentando o Curso Cirúrgico do Professor Fernando Paulino no Rio de Janeiro, aquilo era uma necessidade. Aliás, para o “doutor Luis” tratava-se de uma obrigação.
Por outro lado, a linha do destino já alertava para tais viagens, quando deveria aproveitar cada detalhe que seria útil mais tarde, no momento em que se tornaria escritor.

Luis Kalil é o escritor dos bageenses.
Ele não escreve a História da Cidade como um pesquisador da linha do tempo. Ele escreve Bagé entranhado na gente que vive em Bagé. O bageense está redivivo nas histórias de Kalil, mas não é único por sua geografia localizada. É único pelo ser especial de cidadão do mundo, cidadão da vida, cidadão das memórias de Luis.

Assim é Luis Simão Kalil, o escritor de hoje, que ontem, entre tantas obras que idealizou para a sua Bagé como prefeito, incentivou a arte e a cultura de maneira intensa. A marca dessa dedicação está no atual prédio onde funciona o Centro Cultural Tarcísio Taborda, adquirido em sua gestão, espaço da Biblioteca Pública Dr. Otávio Santos, do Arquivo Público e das instalações iniciais do Teatro Municipal.
Eis o “doutor Luis”, um homem simples de uma imaginação repleta de personagens do mundo, todos residentes em Bagé.

1 Comentário

1 Comentário até agora ↓

  • 1 manoel Ianzer // Oct 5, 2008 at 11:00 pm

    Participei da XI Feira do Livro de Bagé (04.10)
    e tive o prazer de conviver algumas horas com o Dr. Luis Kalil, que me encantou pela pessoa simples que é, mas com grande brilho da alma.
    Manoel Ianzer - São Paulo

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